Velhos e grandes
amigos se bastam. Não exigem muito do mundo e da vida quando têm um ao outro. Mesmo
em meio ao completo caos, sabem que a paz está a apenas um telefonema de distância.
Podem facilmente
passar juntos um domingo preguiçoso jogados no sofá, com um bom livro, uma xícara
de café e uma música qualquer ao fundo, sem necessidade de preencher o silêncio
o tempo todo, para mostrar o quanto são brilhantes e interessantes. Mas podem também
debater apaixonadamente sobre quase tudo, sobre poesia, política e filosofia,
amores e família, sobre banalidades.
Se brigam? Brigam,
e muito. Talvez por serem muito parecidos, ou muito diferentes. Ou simplesmente
por conhecerem muito a fundo os defeitos um do outro. Quem melhor para conhecer
(e apontar) seus piores defeitos do que um grande amigo? Mas ninguém mais tem
esse direito. Pobre do desavisado que critica (mesmo que com razão) seu grande
amigo... Que audácia! Arma-se uma verdadeira guerra, e o desavisado, com toda a
certeza, jamais ousará criticar-lhe novamente.
Cada um tem sua
vida, sua rotina. Tem família, amores, outros amigos, colegas. Mas quando estão
juntos, entram em um mundo só seu, no qual outros já tentaram muitas vezes encontrar
um espacinho, mas sem nenhum sucesso. Tudo o que já viveram juntos, que
compartilharam, torna esse mundo tão singular e, portanto, incompreensível a
olhos alheios.
Talvez a vida lhes
empurre por seus caminhos tão tortuosos, e em algum ponto eles percebam que estão
tão distantes... Mas ainda assim, velhos amigos sempre serão velhos amigos. E
no dia que conseguirem se encontrar novamente, vão se abraçar como se tivessem
se visto ontem, e rir da vida e de si mesmos como sempre riram. Nenhum riso é
mais feliz do que aquele compartilhado com um velho amigo.
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