quinta-feira, 9 de agosto de 2012

não existe amor em SP

    "Não existe amor em SP / Os bares estão cheios de almas tão vazias". Assim diz a música. E quem é otimista o suficiente para discordar? Nunca o mundo esteve tão carente de amor, de respeito entre as pessoas, de preocupação com o bem-estar do próximo. Nunca o "eu" esteve tão em evidência, em detrimento do "nós";
    Qual a principal justificativa? Falta de tempo. Os objetivos pessoais ocupam toda a nossa vida, não resta um único segundo para sequer pensar no resto do mundo, imagine só fazer algo por ele. Outra desculpa comum: de que adianta fazer algo se ninguém mais faz nada? Esse raciocínio não poderia estar mais equivocado. Juntos, somamos mais de 7 bilhões de pessoas. Se cada um cedesse um minuto que seja do seu dia em prol do bem comum, aonde estaríamos? Em um mundo um pouco mais igualitário, provavelmente. Parece um clichê, e na verdade é mesmo, mas mesmo que repetido incansavelmente, as pessoas parecem não o compreender.
    Felizmente, necessidade gera reação. A medida que nossa carência de amor e altruísmo aumenta, aumenta também o número de pessoas dispostas a tomar atitudes, grandes atitudes (porque uma atitude com o objetivo de beneficiar o próximo, independentemente de sua simplicidade, será sempre grandiosa). Exemplos? A pequena Rachel Beckwith, que, aos 9 anos de idade, estabeleceu como objetivo juntar US$ 300 para doar a uma ONG que levaria água a uma pequena comunidade na África. A menina sofreu um grave acidente de carro e morreu, mas sua história mobilizou pessoas de todo o mundo, que fizeram doações e conseguiram arrecadar mais de US$1 milhão. Essa sim é uma verdadeira história de heroísmo, e quantos outros heróis anônimos temos por aí?    
    Assistimos a filmes com histórias de amor e altruísmo como assistimos à ficções científicas. Interessante, bacana, mas muito longe da realidade. Pelo contrário, essas histórias estão tão ao nosso alcance como qualquer outra. Me resta a esperança de que, cada vez mais, casos aleatórios (e infelizmente, ainda raros) como o de Rachel se tornem comuns e cotidianos. E, mais do que esperança, a vontade de, todos os dias, fazer o que eu puder para contribuir com um mundo como ele precisa ser: “um por todos, e todos por um”.

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