segunda-feira, 6 de agosto de 2012

desfechos

    E lá estavam, reunidos novamente por um (in)feliz acaso. Dez minutos da conversa mais superficial que já tiveram. Bonita a festa, não? Já fui em melhores... Como se, há um tempo que agora lhes parecia perto da eternidade, não tivessem sido a vida inteira um do outro.
    Quando menos se espera, ele chega: o silêncio. Aquele silêncio desconfortável e deslocado, no qual a tensão não passa despercebida nem ao olhar mais desatento. Aquele, que pode terminar de infinitas maneiras, mas ninguém pode saber exatamente qual vai ser.
    Quantas noites de sono ela perdera pensando nesse momento? De quantas cenas e desfechos seu espelho fora um fiel espectador? Milhares de frases pipocam em sua cabeça numa velocidade vertiginosa, e cada uma carrega consigo um final singular para aquela noite. Senti e sinto sua falta, achei que iria morrer quando me deixou. Já passou, estou bem. Eu poderia te matar nesse exato momento! Me leva pra sua casa? Por um minuto lhe escapa o domínio das palavras.
    Ela recupera a fala, e de tantas possibilidades, ela escolhe a mais improvável (e dolorosa):
    - Foi bom te ver. - e vai embora, simplesmente, sem se permitir olhar para trás uma vez sequer, ao encontro de mais uma infinita noite sem paz.

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